sábado, 5 de junho de 2010

CAROLINA FRANCO 1
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: UMA EDUCAÇÃO CADA VEZ MAIS POSSÍVEL
Carolina Franco
Integrante da Equipe Pedagógica da EAD da
UNINOVE.
Graduada em Pedagogia pela UNAMA
(Belém), Mestre em Educação Arte e
História da Cultura, pela Universidade
Mackenzie (São Paulo).
Durante um longo período, a EAD era vista como um “estepe” do
ensino, conforme palavras usadas pelo filósofo Pierre Levy, e era utilizada
quando o ensino tradicional não dava certo. Em outros termos, caso o ensino
presencial não obtivesse êxito com determinado aluno, este era remanejado
para educação não presencial. Assim, a EAD acabava sendo vista com outros
olhos pela sociedade, como uma educação para pessoas que não podiam ter
uma mesma educação de melhor qualidade e, na maioria dos casos, era
realizada pelo rádio e/ou televisão. Isso fazia com que a sociedade entendesse
que a EAD era uma educação voltada para os excluídos educacionais.
Segundo alguns dados estatísticos, a EAD têm obtido um grande
aumento em sua credibilidade, principalmente nas Regiões Sul e Sudeste do
país. São Paulo é o maior Estado brasileiro em número de alunos matriculados
no ensino não presencial, seguido do Paraná, segundo fontes da ABRAEAD 1 ,
em 2007.
Podese
verificar que, atualmente, os programas de ensino são
predominantemente textuais como o material impresso (livros, apostilas etc.)
chegando a cerca de 86,4%. O grande uso desse tipo de material se dá com
estudantes que participam de cursos de credenciamento estadual (EJA e
técnicos).
NIPPER sugere a mudança do ensino a distancia para que nele
se crie a sensação de uma “presença sincrônica” 2 e de redução da distância
social entre os alunos para que haja a sensação de trabalho conjunto e em
1 Anuário Brasileiro Estatístico de Educação Aberta e a Distancia.
2 Recuperação do sentido de turma reunida – em um espaço em que dificilmente os alunos
estão presentes no mesmo momento.
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tempo real. Mas, para que isso ocorra, a única forma, até o momento, é o elearning
3 , e a interatividade preferida é a de tempo real. Os chats são utilizados
pelos alunos para marcar dia e hora de reuniões nesse ciberespaço, assim
como fazem no campus tradicional. Fóruns de discussão e serviços como
Messenger , ICQ e Yahoo são alternativas mais usadas para essa interatividade
em tempo real.
Outro recurso tutorial utilizado a fim de manter contato com os
alunos para dirimir suas dúvidas, além de fazer monitoramento e
encaminhamento de material didático são os emails,
mecanismo utilizado por
cerca de 88,5% das instituições.
Mais da metade, 56%, em sua maioria alunos de graduação e pós
graduação (credenciamento federal), já utilizam o elearning
e, praticamente,
todas as regiões brasileiras seguem esse padrão. Exceção se faz ao do
CentroOeste,
principalmente o Distrito Federal, onde as escolas utilizam mais
o CDROM
do que o elearning.
Essa diferença percebida dentro da EAD decorre do fato de ser
ainda pequeno o número de brasileiros com acesso ao computador, à internet
e à banda larga.
Com a inovação nos ambientes tecnológicos, como aulas
transmitidas via satélite e em tempo real, surge a possibilidade de transmitir
suas aulas para vários lugares de diferentes localidades, como é o caso da
UNOPAR, em Londrina, no Paraná, que possui esse tipo de aparato
tecnológico, o qual permite a transmissão simultânea para vinte e seis Estados
brasileiros e mais de trezentos municípios. Somente no ano de 2006, a
UNOPAR educou mais de 75 mil alunos a distancia, sendo, por isso, a segunda
instituição em maior número de alunos, naquele ano.
Atualmente, o perfil dos alunos que integram esse tipo de ensino
é de moradores de cidades pequenas, empenhados em melhorar sua
formação, sem alternativas de deslocamento para estudar nos grandes centros
urbanos.
3 Aprendizado mediado pela internet.
CAROLINA FRANCO 3
Segundo a ABRAEAD, são 225 instituições de EAD em todas as
regiões do país. Somente no ano de 2006, foram 889 cursos a distância, em
sua maioria de pósgraduação
lato sensu (27,7%), ou de extensão,
aperfeiçoamento ou capacitação (30,6%). A graduação, com 205 cursos,
representou 23% do total.
Os dados positivos desde o ano de 2000, quando o MEC realizou
sua primeira pesquisa, indicam um grande avanço na EAD. É importante
salientar que os profissionais do ensino a distância têm grandes motivos para
se preocupar com os problemas de evasão, se compararmos essa realidade
com a dos professores do ensino presencial. Em decorrência de poder oferecer
uma oportunidade de ensino no ambiente doméstico, social ou profissional e
ainda permitir que o próprio aluno faça seu horário de estudo, a EAD depende,
de forma direta, de algumas aptidões do aluno que opta pela mesma, como a
concentração e organização.
Apesar de percebermos mais nitidamente em alguns casos,
evasão, a redução de alunos acaba sendo bemvinda,
pois os que
permanecem na EAD são alunos que realmente querem uma formação
diferenciada dos demais.
Segundo dados da ABRAEAD/2007, para cada docente em um
curso de educação a distância no Brasil (o professor, coordenador, monitor,
tutor etc.) há 51 alunos, em media, ocorrendo, assim, uma redução expressiva
em relação aos dados da ABRAEAD/2006, que indicavam 73 alunos por
docente.
É importante salientar que a região que, segundo a ABRAEAD,
tem ainda um grande índice de crescimento é o Sul do pais. Ela vive seu ápice
na EAD, com um expressivo percentual de 61,50% de alunos por docente na
região, ficando apenas atrás do Norte, que conta com percentual de 60,60%,
incluindo a clientela de instituições públicas e privadas.
O processo de mudanças na EAD não é uniforme e nem fácil. As
transformações vão ocorrendo aos poucos. Isso se dá devido à grande
desigualdade econômica e social, pois a maioria das pessoas, principalmente
nas regiões Norte e Nordeste, ainda não tem acesso a esses recursos
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tecnológicos. Daí a necessidade de possibilitar a todos e principalmente, de ter
professores efetivamente preparados para a utilização desses recursos.
Referências Bibliográficas
Anuário Brasileiro Estatístico de Educação Aberta e a Distancia, 2007.
Coordenação: Fabio Sanchez. 3ªed. São Paulo. Instituto Monitor, 2007.
PELISSOLI, Luciano. Aprendizagem Móvel (Mlearning):
Dispositivos e
Cenários. Disponível in: http://www.abed.org.br/congresso2004/por/htm/074TCC2.
htm. Acesso em 06/11/2007.
Elearning
Brasil site
brasileiro sobre elearning.
Disponível in: http://www.elearningbrasil.com.br. Acesso em 08/05/2007

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